Tudo começou com uma caixa de ferramentas. Terminou com uma pena que, em determinado momento, só acabaria no ano de 2085.
Mark DeFriest tinha 19 anos quando perdeu o pai, em 1980. No testamento, havia herdado suas ferramentas de mecânico. Mas, em vez de esperar pela conclusão formal do inventário, pegou uma chave, entrou no galpão do pai e levou aquilo que acreditava já lhe pertencer.
A madrasta chamou a polícia. DeFriest foi condenado por invasão e recebeu uma pena de quatro anos.
O que ninguém imaginava era que mantê-lo preso se transformaria em um enorme desafio.
Desde criança, Mark demonstrava capacidades mecânicas e espaciais extraordinárias, associadas à síndrome de savant. Aos seis anos, já conseguia desmontar relógios mecânicos complexos e montá-los novamente. Na prisão, essa habilidade ganhou outra dimensão.
Ele observava uma chave pendurada no cinto de um guarda durante poucos segundos, memorizava seu formato e depois fabricava uma cópia funcional usando praticamente qualquer material disponível. Pedaços de metal viravam chaves. Tubos de pasta de dente eram transformados em armas improvisadas. Papel e papel-alumínio se tornavam trabalhos extremamente detalhados.
E Mark fugia.
Ao longo dos anos, foram sete fugas bem-sucedidas em treze tentativas. Ele serrou grades de ferro, atravessou cercas com arame farpado, fez ligações diretas em carros e conseguiu escapar de algemas, correntes para as pernas e até camisas de força. Em um dos episódios mais bizarros atribuídos a ele, o café dos agentes penitenciários teria sido adulterado com LSD.
Cada tentativa, porém, tinha um preço. A pena original de quatro anos começou a crescer. Novos crimes e novas fugas acrescentaram mais anos, depois décadas.
A situação era ainda mais controversa por causa de sua condição mental. Cinco dos seis psiquiatras nomeados pelo tribunal concluíram que DeFriest não tinha condições mentais de enfrentar um julgamento. Apenas um discordou. Mesmo assim, os processos continuaram.
Dos aproximadamente 34 anos que passou atrás das grades naquele período, cerca de 27 foram em isolamento. Houve períodos em que permaneceu completamente no escuro, sem roupas e praticamente sem contato humano por dias.
O jovem que inicialmente havia recebido quatro anos de prisão por buscar as ferramentas deixadas pelo próprio pai viu sua data prevista de liberdade avançar cada vez mais no calendário.
Até chegar a 2085.
A história de Mark DeFriest acabou se tornando um dos exemplos mais extremos de como uma pequena condenação inicial, sucessivas fugas e décadas dentro do sistema penitenciário podem transformar quatro anos de prisão em praticamente uma sentença para toda a vida.
Redação: JORNAL JRP INTERNACIONAL
Por Lyvio Araújo, jornalista






































































































































































































































































