Em meio à rotina dura das ruas de São Paulo, Kennedy encontrou nos livros um lugar onde consegue respirar, organizar os pensamentos e enxergar outras possibilidades para a própria vida.
O jovem, que vive em situação de rua, chamou atenção depois de ter sua história divulgada pelo projeto SP Invisível. Segundo o relato compartilhado pela iniciativa, ele já leu mais de 287 livros ao longo de seis anos.
Para Kennedy, a leitura vai muito além de um passatempo.
Os livros se tornaram uma forma de fortalecer a mente, enfrentar os dias difíceis e manter algum equilíbrio emocional diante de uma realidade marcada pela falta de moradia, insegurança e poucas oportunidades.
Enquanto muita gente passa por ele sem conhecer sua história, Kennedy encontra nas páginas uma maneira de se afastar, ainda que por alguns momentos, da pressão constante das ruas.
Cada livro abre uma nova realidade, apresenta outras ideias e oferece algo que as circunstâncias ao redor nem sempre conseguem oferecer: perspectiva.
A trajetória ganhou repercussão depois de ser apresentada pelo SP Invisível, organização que atua dando visibilidade a pessoas em situação de rua e promovendo ações de acolhimento, alimentação e apoio social em São Paulo.
A força da história está justamente no contraste.
Mesmo sem ter garantidas algumas das condições mais básicas da vida, Kennedy mantém um hábito que exige disciplina, atenção e constância. Em seis anos, acumulou centenas de leituras e transformou os livros em uma importante ferramenta para seguir em frente.
Sua história não romantiza a vida nas ruas nem apresenta a leitura como solução para todos os problemas. Ela mostra, porém, como o acesso ao conhecimento pode representar resistência, companhia e esperança mesmo em circunstâncias extremamente adversas.
Às vezes, um livro não muda imediatamente aquilo que está ao redor. Mas pode mudar a maneira como alguém consegue atravessar o dia.
Redação,JORNAL JRP INTERNACIONAL
Por Leon Lopes, jornalista

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